sábado, 20 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Minha vocação política

Certa feita eu me candidatei para representante de turma, no Centro de Educação Tecnológica. Ouvira dizer que o representante receberia a sublime condição de comer o "padrão". Por "padrâo" denominávamos o lanche que era feito de pâo com ovo e refresco, que nos fortalecia a alma para as aulas do periodo da tarde, bem melhor assimiladas do que em jejum, já que na maioria os alunos nâo tinham dinheiro para almoçar. Naquela dita votação, vislumbrando os ganhos materiais que adviriam do certame, lá estava meu nome. Compugido pela infâmia de um ideal nâo tão nobre, dolorido de só pensar no pâo, desdenhei de votar em mim mesmo. O companheiro de urna ganhou, e eu só tive um único voto. Do Horácio, fiel eleitor. Inconformado de que eu nâo tivesse pelo menos dois votos. Significava que nem eu tinha votado em mim mesmo, na maior demonstração humana de falta de fé política em si mesmo.
Foi aí que percebi, que talvez, sim, talvez,
que a política não fosse exatamente minha futura vocação.
Pelo menos a parte que dizia respeito a escolha popular...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A família pato

Inda

Inda ei de fazer deste mundo,
um lugar decente pra se comer milho quente,
com manteiga de garrafa.
Valha-me aquele que não se encontra em Asgard
Que se indigna com a indignidade
E me presenteoou com a dádiva da ira.
Ei de verificar que a injustiça tola,
na mão de gente que pensa que tudo pode,
Era só pedaços de projetos inacabados
Que morreram por falta de verba
Nas mãos de um sábio diretor.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Guerra

Tenho verificado que as vezes a vida se comporta como uma guerra que almeja não ser vencida. O coração teima em bater, os pulmões perseguem o ar, os olhos intentam ver, e as mãos aplaudir.
E vejo a guerra que persegue a vida, além da guerra da vida.
A guerra no coração humano. O homem inquieto não anseia a paz.
As olímpiadas misturam a alegria dos vitoriosos com as lágrimas dos derrotados.
Como se não houvesse sentido em vencer se não houvesse alguém para perder.
Eu gostaria de proclamar tempo de jogos em que no final todos os competidores
chorassem pela alegria de estarem juntos.
Um tempo em que a mão que se estende pra empurrar o arado,
compartilha o pão, onde homens almejassem a vitória alheia,
como anseiam respirar.

O vício da Cerveja


Trecho de prosa de Cecília Meireles

Agora, este lugar me parece encantado. Houve uma voz, rente a mim, que me perguntou, com bafo ardente: "Serias capaz de tocar e dançar em cima das águas?" E eu, que sou intrépido, eu, que sou audacioso, eu, que tenho o gosto de aventura e a paixão do sofrimento, respondi orgulhosamente: "Sim!" E tive um calafrio, sentindo a minha coragem. A voz, então, disse: "Amanhã, o chão vai amolecer debaixo dos teus pés.?Verei que homem és tu!"